segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Kafkiano ou algo semelhante

Devorei o livro " Crónica de uma Morte Anunciada" numa noite, enrolada num velho cadeirão em frente à lareira. E, apesar de no início de quase todos os capítulos Gabriel García Márquez anunciar a morte de Santiago Nasar,  fiquei sempre com a sensação, e com desejo, que no fim do livro a personagem se safaria de tal fado.

Achava surreal que quase uma aldeia inteira soubesse que o homem ia ser morto e ao cruzarem-se com ele, por várias circunstâncias, ninguém o avisava.

Quando comecei a ler o Processo, de Kafka, repetia constantemente uma frase; " Mas o raio do homem não pergunta de que crime é acusado?". O meu irmão respondia calmamente, " Maria, é Kafka!",eu continuava a ler e reduzia-me à minha insignificância.

Fiquei a uns capítulos do fim. Meteu-se a mais árdua época de exames, de Setembro, que tinha tido até à altura. Fiz 6 cadeiras, duas por trabalho, 4 por exame, dois deles tive de ir à oral.

Uma das cadeiras em que mostrei os meus dotes oratórios, foi Direito do Ambiente. Na altura leccionada brilhantemente, na minha opinião, pelo Professor (não sei se Dr.) José Manuel Pureza (para quem não sabe, deputado, eleito pelo circulo de Coimbra, do Bloco de Esquerda). 

Lembro-me perfeitamente dessa segunda-feira. O fim-de-semana anterior foi marcado pelo casamento do meu primo mais velho (estão a ver o tempo que tive para estudar, tendo saído a nota na sexta-feira), e pelo abandono do Sr. Damásio (será este também Dr.?) da presidência do Benfica.


O relógio marcava 8H40 quando entrei na Faculdade. Reconheci alguns colegas, estavam em alvoroço, e achei estranho levar tão a sério o facto do devido Senhor ter renunciado o cargo. Explicaram-me que o Professor poderia estar "chateado", sendo este o seu clube.

E assim começou a minha oral, debatendo a situação que se vivia no Benfica.

Como partilhava o apelido de um jogador perguntou-me, sendo eu de Gestão, se não seria uma das possíveis candidatas à Presidência.
Com um sorriso, meio irónico, nos lábios, respondi-lhe que era da Académica (não era mentira, fui sócia e tudo). 
Ele retribuiu o mesmo sorriso, " Com que então é neutra?".

Sim, Senhor Professor, foi a a minha resposta. Sai de lá com 13 valores, mesmo respondendo de forma incompleta à diferença entre o princípio da precaução e o da prevenção.

2 comentários:

Bruno Taborda disse...

Que estranha sensação de deja-lu...
;)

Maria disse...

Bruno deja-lu é bem hehe! Eu disse que isto ia dar em post hehe.
Beijinhos