sábado, 19 de março de 2011



Hoje dia do Pai, vou vos falar um pouco do meu. O que me ensinou o valor da liberdade e do trabalho. Aquele que, na minha infância, era um Super-homem, uma força da natureza.

Lembro-me do exacto momento em que esta imagem se dissipou. Quando o vi nos Cuidados Intensivos, entubado,fios por todo o lado e alarmes a disparar constantemente.O que parecia um procedimento rotineiro, rapidamente tornou-se numa questão de vida ou morte.

Foram os piores 10 dias da minha vida, altura em que percebi que ele não iria estar sempre presente na minha vida. Eu não me sentia minimamente preparar para o perder, e bem sei que nunca se está preparado para perder alguém que amamos.
Revoltei-me com tudo isto, fiquei perdida, mas tentei aguentar e não ir abaixo. Nunca senti tanto ódio por um simples toque de telefone. Foi uma altura em que reavaliei a minha vida, onde cheguei à conclusão que não a tinha aproveitado muito.


Recordo-me de uma conversa que tive durante uma consulta, em que o Médico me contou de uma noite em todos os funcionários daquele hospital andavam em silêncio, cabeça cabisbaixa, receosos de ouvir a fatídica notícia do antigo colega. O dia em que todos corriam para a enfermaria do meu Pai, o dia em que parecia que aquele gigante, que tantos admiravam e receavam ao mesmo tempo, não iria resistir. As palavras exactas foram " Vocês não fazem a mínima ideia o que passamos. Tínhamos todos os tomates apertados". Senti que para ele foi um alívio poder falar sobre isto, soltar uma gargalhada, como forma de expiação por tudo o que ele passou naquela noite.

Contra todas as expectativas ele sobreviveu, contrariou tudo e todos. 

O meu Pai, apesar de não ser um Super-homem, é o meu herói, com todos as suas qualidades e defeitos.